O Amor, Música de Gal Costa. Ressuscita-me!

O Amor, Música de Gal Costa

Canta Gal Costa / Composição: Caetano Veloso / Ney Costa Santos / V. Mayakovsky

Letra

O Amor

Talvez

Quem sabe

Um dia

Por uma alameda

Do zoológico

Ela também chegará

Ela que também

Amava os animais

Entrará sorridente

Assim como está

Na foto sobre a mesa


Ela é tão bonita

Ela é tão bonita

Que na certa

Eles a ressuscitarão

O século trinta vencerá

O coração destroçado já

Pelas mesquinharias


Agora vamos alcançar

Tudo o que não

Podemos amar na vida

Com o estrelar

Das noites inumeráveis


Ressuscita-me

Ainda

Que mais não seja

Porque sou poeta

E ansiava o futuro


Ressuscita-me

Lutando

Contra as misérias

Do cotidiano

Ressuscita-me por isso


Ressuscita-me

Quero acabar de viver

O que me cabe

Minha vida

Para que não mais

Existam amores servis


Ressuscita-me

Para que ninguém mais

Tenha de sacrificar-se

Por uma casa

Um buraco


Ressuscita-me

Para que a partir de hoje

A partir de hoje

A família se transforme


E o pai

Seja pelo menos

O Universo

E a mãe

Seja no mínimo

A Terra

A Terra

A Terra


Significado

A Imortalidade do Amor em Versos: Uma Análise de 'O Amor' de Gal Costa

A canção 'O Amor', interpretada pela icônica Gal Costa, é uma obra que transita entre a poesia e a música, trazendo uma reflexão profunda sobre a vida, o amor e a esperança de renovação. A letra, repleta de simbolismo, começa com a imagem de uma mulher que poderia ser qualquer pessoa, caminhando por uma alameda do zoológico, um lugar que remete à inocência e à pureza dos sentimentos. A menção de que 'ela também amava os animais' sugere uma conexão com a natureza e a simplicidade da vida.

A repetição do verso 'Ela é tão bonita' não apenas enfatiza a beleza da mulher, mas também pode ser interpretada como uma celebração da beleza da vida e do amor que resiste ao tempo e às adversidades. A letra avança com a ideia de ressurreição, não no sentido religioso, mas como uma metáfora para a superação das 'mesquinharias' e das dificuldades do cotidiano. O poeta, personagem central da canção, anseia pelo futuro e pela realização plena do amor e da vida, livre das opressões e limitações impostas pela sociedade.

O final da música traz uma visão utópica, onde a família e as relações humanas são reinventadas, com o pai representando o 'Universo' e a mãe a 'Terra'. Essa visão ampliada de parentalidade sugere uma conexão mais profunda com o mundo e com a humanidade, transcendendo os laços familiares tradicionais. A música, portanto, é um apelo à transformação pessoal e coletiva, um chamado para viver intensamente e para que o amor possa florescer em sua forma mais pura e liberta.

Peça

pertence a uma peça chamada percevejo


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